segunda-feira, 30 de março de 2009

Intangível

Ia começar esse post escrevendo mentiras que eu não sabia serem mentiras até começar a escrever. Ia dizer que não sou uma pessoa de extremos em matéria de relacionamentos - como disse, mentira. No meio termo eu nunca me encontrei. Ao mesmo tempo, há certos extremos que parecem não ter sido feitos pra mim, e eu fico ali, meio bamba.

A palavra pra mim é controversa.

Meu maior problema para escrever aqui é que eu me perco, começo a pensar em um milhão de coisas enquanto escrevo e de repente o post está tomando um rumo completamente diferente daquele previsto anteriormente. Céus, se eu não consigo manter uma linha de coerência em um *texto*, que dirá em um relacionamento?

O que acaba de me ocorrer é - por mais estúpido e óbvio que possa parecer: às vezes a gente acha que sabe tudo sobre uma pessoa, mas a verdade é... nós nunca vamos saber. Há tanta coisa, tantos pequenos detalhes guardados em lugares tão íntimos e profundos que muitas vezes nem nós mesmo os encontramos, tanto perdido para os outros. Em teoria (e isso já me afligiu muito, por estar na minha cabeça uma hora e na seguite sumir), isso significa que sempre teremos assunto para conversar com alguém. Afinal, por mais que falemos, por mais que exploremos uma única memória, sempre haverão outros ângulos, outros detalhes, outras cores.

Há tanta coisa que não se toca. Não se tange.

Ainda que eu tente explicar, ainda que eu conte e reconte e mais uma vez a mais de uma pessoa, ainda que a pessoa tenha vivido algo similar, nunca alguém vai conseguir agarrar a essência da minha confusão, da minha vontade de gritar pelas coisas mais estúpidas durante o dia. Perceber a sutil diferenciação de motivos e vontades, a coloração nova que aqueles dias me trouxeram, o desejo de voltar atrás porque... Porque antes eu conseguia ter melhor controle das situações, e não o ter me enlouquece pouco a pouco.

Eu sempre fui de extremos. Paixão ou raiva, amor ou indiferença, alegria desenfreada ou tristeza pungente. Saudade ou tédio.

Eu nunca fui de extremos. Um, pedaços. Dois, desejo. Três, destino. Quatro, doce. Cinco, ímpeto. Seis, corações. Sete, acaso.

Eu nunca vou fazer parte de certas fotografias. Gostaria de sentir o intangível.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Estranho

Não sei por que insisto em começar blogs (digo isso como se o fizesse sempre, mas na verdade o fiz - teoricamente - pela última vez em 2005). É como começar uma nova agenda, diário, ou qualquer registro que seja: péssimo.

Ainda bem que dessa vez só mudou mesmo o endereço e um pouquinho do formato. O arquivo tá ali embaixo bonitinho ainda, então meu começo aqui já foi.

Começos têm estranhamento. O sentimento pode ser disfarçado por aquele encantamento de "fazer acontecer", "finalmente!" ou coisa parecida, mas logo passa e fica só aquele não saber como agir. Temos que conhecer o outro, aprender - nos decepcionamos (com mais frequencia do que gostaríamos), causamos decepções. Fingimos. Se a pessoa já é um amigo, se os dois já se conhecem bem, não sabemos como agir quando a amizade deixa de ser só isso.

Eu definitivamente não gosto de começos. Mas dessa vez eu ainda não quero um final. Não me faça querer.

terça-feira, 24 de março de 2009

Desde que me mudei para São Paulo, venho me perguntando o que foi que mais mudou. Não morar mais na cidade em que cresci? Não conhecer tão de perto as ruas, casas, lojas, muros? Não poder andar sem consultar mapas? Ter que pegar um ônibus para tudo que faço? Estar na universidade? Não conhecer direito ninguém? Ter que me responsabilizar por tantas coisas? Não ter meus pais por perto? Não sair para os lugares conhecidos? Conhecer algo novo todos os dias? Cozinhar para uma pessoa?

Hoje eu percebi que a maior diferença, mesmo, era que, antes, "longe" significava quinze minutos de distância, ou no máximo uma viagem de ônibus. "Longe" era uma ligação no meio da tarde e alguns reais a mais na conta telefônica. "Longe" era esperar até a uma da tarde do dia seguinte.

Diferente, mesmo, é ficar sozinha num banheiro. E saber que quando você conseguir finalmente se recompor, respirar fundo e abrir a porta pra ir lavar o rosto, não vai ter alguém ali pra te abraçar e dizer que tudo vai ficar bem.

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