quarta-feira, 23 de julho de 2008

Linhas tortas

Era uma sensação estranha. "É inacreditável, não é, a diferença entre ler sobre uma coisa, vê-la em fotos e experimentá-la?" Edward estava certo, como quase sempre, mas para ela não se tratava do primeiro amor. Nem de ciúmes, proteção, ou mesmo amizade. Era algo dela, e só dela, que não podia - embora ela tentasse dividi-lo através de sorrisos e gritos animados e exclamações - ser explicado ou compartilhado em sua plenitude, sendo assim tão particular.

Viera de repente - não, não, não viera. Construíra-se aos poucos e ficara à espreita - explodira de repente, era mais correto dizer. Como se apenas ler aquelas explicações sobre o futuro houvesse puxado um gatilho escondido e lá estava. Aquele senso crescente, notável de reconhecimento. De pertencer. De encontrar.

Encontrar-se.

Era isso, não era? Acordar um dia sabendo - ela havia acordado, sim, pois de repente tudo a sua volta fazia-se mais claro e as coisas pareciam ter sentido -, simples assim. Saber o que se procura e como encontrá-lo, como fazê-lo, mesmo que ainda com algumas dúvidas - tão, tão ínfimas agora.

De repente, quatro anos fora de casa não pareciam assim tão ruins. Porque, agora, eles seriam preenchidos por algo mais.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ali estava: uma mentira comprida e bem-intencionada. (I am Charlotte Simmons - Tom Wolfe)

It's not as if I should care, really. But I can't help it. I do, I care, I want to scream.

You see. I'm this big mess, right now. (just now?) And you're not helping. I don't (I can't) blame you, of course. But there's a part of me who wants to scream.

And I just can't trust your choices. (What about mines?)

And I just can't trust myself.

Most of the time...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(Gonçalves Dias)

O poema mais citado da literatura brasileira. Just 'cause I feel like it (irônico é eu não conseguir trauzir alguns pensamentos pra minha língua-mãe).
Onde é teu exílio? Onde é tua terra?

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