quarta-feira, 23 de julho de 2008

Linhas tortas

Era uma sensação estranha. "É inacreditável, não é, a diferença entre ler sobre uma coisa, vê-la em fotos e experimentá-la?" Edward estava certo, como quase sempre, mas para ela não se tratava do primeiro amor. Nem de ciúmes, proteção, ou mesmo amizade. Era algo dela, e só dela, que não podia - embora ela tentasse dividi-lo através de sorrisos e gritos animados e exclamações - ser explicado ou compartilhado em sua plenitude, sendo assim tão particular.

Viera de repente - não, não, não viera. Construíra-se aos poucos e ficara à espreita - explodira de repente, era mais correto dizer. Como se apenas ler aquelas explicações sobre o futuro houvesse puxado um gatilho escondido e lá estava. Aquele senso crescente, notável de reconhecimento. De pertencer. De encontrar.

Encontrar-se.

Era isso, não era? Acordar um dia sabendo - ela havia acordado, sim, pois de repente tudo a sua volta fazia-se mais claro e as coisas pareciam ter sentido -, simples assim. Saber o que se procura e como encontrá-lo, como fazê-lo, mesmo que ainda com algumas dúvidas - tão, tão ínfimas agora.

De repente, quatro anos fora de casa não pareciam assim tão ruins. Porque, agora, eles seriam preenchidos por algo mais.

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