terça-feira, 30 de setembro de 2008

A falta do que fazer depois de um churrasco ao vento, ou Reclamações por causa da garganta, ou Produto de um dia frio e entediante

Estou doente e sinto falta de escrever sem me preocupar com forma e conteúdo e coesão e tantas outras regras que me talham a criatividade. Sinto-me (e lá vem a colocação pronominal, tão artificial nesse texto de pensamentos soltos) presa e também escritora fajuta, pois deveria conseguir escrever fossem quais fossem as imposições. Acho. Creio. Não consigo, então paro para respirar.

Minha garganta dói feito o diabo - ele deve machucar -, não consigo respirar nem engolir nem pensar direito, só quero ficar deitada na cama assistindo à televisão.

Decidi fazer uma lista.

Os 10 últimos livros que eu li
por ordem cronológica, porque não tenho saco pra inventar outra qualquer

10. Marido e Mulher - Tony Parsons -julho-
Maravilhoso. Eu invejo a escrita do Parsons e me pego imitando-a de vez em sempre quando. Ele consegue retratar maravilhosamente bem os relacionamentos humanos.

9. Crepúsculo (Twilight) - Stephenie Meyer -julho-
Me fez ficar viciada na série da Sra. Meyer. Analisando-o friamente, não é um ótimo livro nem nada, mas quando se está lendo a história... É cativante, se você for uma garota viciada em romances.

8. New Moon - Stephenie Meyer -julho-
Segundo livro da série, considero-o o mais chatinho. Não consigo entender a fixação da personagem principal com seu amado, nem sua submissão. Só salva a participação do Jacob, que é, pra mim, o personagem mais real de Twilight.

7. Eclipse - Stephenie Meyer -julho-
Terceiro livro da série, o melhor. Triângulo amoroso, luta, brigas - "I punched a werewolf in the face" -, romance, drama com partes engraçadas. Tudo para um ótimo livro. Ah, e lobisomens. Stephenie, você me ganhou aqui.

6. Breaking Dawn - Stephenie Meyer -agosto-
Quarto e último livro de "Twilight". Adorei quando li, depois percebi que só a parte II não em fez odiar o negócio. Achei o começo sem graça, pior do que eu esperava. O final foi meio frustrante, mas aliviante (?). O meio é o que salva, pra mim. Mas não dava pra não ler. Acaba enfim a saga de Bella e Edward... Pelo menos até a Steph decidir escrever mais sobre o Jake, ou acabar de escrever Midnight Sun.

5. 1933 foi um ano ruim - John Fante -setembro-
Há muito tempo queria ler algum trabalho do Fante; não me decepcionei. Era como eu esperava, sem muitos floreios, uma escrita crua. Conta a história de um adolescente na era da depressão norte-americana. A história em si não tem nada de mais, mas mostra a falta de sonhos e perspectiva da época. Agora me falta ler "Pergunte ao Pó" e "Espere a primavera, Bandini" pra ficar feliz.

4. City of Bones - Cassandra Clare -setembro-
Li o comecinho da tal fanfiction que deixou a Cassandra Clare famosa no fandom de Harry Potter e fiquei receosa de ler o livro, o qual me foi indicado pela Ree. Decidi confiar no gosto da minha amiga escocesa, e não me decepcionei. A Clare melhorou pra caramba a escrita nesses sei lá quantos anos (ainda tenho esperanças!), e juntou-se à sua habilidade com as palavras sua imaginação. Passei a considerá-la a Rainha das Surpresas (por falta de tradução melhor), e a série (The Mortal Instruments) figura entre as melhores obras - se não pela escrita, pelo enredo e pelo casal principal - de ficção infanto-juvenil que já li.

3. City of Ashes - Cassandra Clare -setembro-
Segundo livro de TMI. A saga de Clary continua, e faz juz ao primeiro livro, sendo tão bom quanto - ou melhor - que este. Palmas para o capítulo 8, "The Seelie Court", o qual, devo concordar com a Ree, é o melhor capítulo do livro - da série, até agora - e faz valer a pena pegar "City of Ashes" pra ler, mesmo depois do trauma que é o final de "City of Bones".

2. A hora da estrela - Clarice Lispector -setembro-
Mais um livro que agora posso riscar da lista dos "livros que preciso ler antes de morrer." O que me atrai nos textos da Clarice é a capacidade dela de escrever para si mesma e nos arrastar junto para um mundo todo particular. Embora haja em "A hora da estrela" menos subjetividade do que na maioria de seus outros trabalhos, não deixa de ser esse um belíssimo livro, com reflexões sobre existência, vida e morte.

1. Tudo que eu queria te dizer - Martha Medeiros -setembro-
Ah, Martha. Como eu queria ser você. Coletânea de cartas, sem relação uma com a outra, escritas por pessoas completamente diferentes uma das outras - criadas, todas, pela mente dessa gaúcha genial.

[editado] Ah, esqueci de Vampire Academy. Mas tô com preguiça de mudar a a lista, então fica a dica: essa série da Richelle Mead sobre vampiros é fascinante - demora um pouquinho pra engatar o começo da história, mas depois... Mas recomendo que seja lida antes de TMI, porque não é tão boa quanto. :D [/editado]


Prevejo outras listas em breve, visto que essa maldita garganta inflamada me tomará o tempo de aula e ficarei mofando embaixo das cobertas. Escrever, bendito passatempo!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Problema particular

(...) parece que você quer saltar de dentro de você mesma, se libertar do próprio corpo e da vida estreita que escolheu (Martha Medeiros, Tudo que eu queria te dizer)


De que será que é feito o mundo, pus-me a pensar em um daqueles limbos em que o pensamento é mais forte, e os sentimentos são plenos, naquele não atuar pacífico e ativo do corpo contra a mente. Das grandes revoluções, ou das pequenas? Por tanto tempo acreditei nas mudanças da sociedade, nos grandes atos heróicos e desiludi-me com a falta de heróis. Quis ser heroína e entristecia-me ser... eu. Pálida e comum garota normal perdida entre as tantas outras garotas pálidas normais iguais.

Mas para sobreviver-me resolvi que não, não há de ser assim, pois são as menores, são as pequenas, são as rachaduras que rompem o maciço.

Acordei revolucionária - e não fiz a redação da semana.

Senti-me mal pela relegação das responsabilidades, mas que fazer se minha mente recusava-se a obedecer a estrutura pré-estabelecida? E decidi que não importava - a mentira era tão mais decente -, decidi que faria enfim algo que desse na telha sem sofrer pelas futuras conseqüências, decidi jogar para o alto uma migalha de obrigação, decidi não escrever, decidi guardar os pensamentos pra mim, decidi, decidi por fim. Senti-me pior pela insignificância da decisão, por não ser capaz de afetar nada com o meu não-fazer. Mas foi meu, foi minha, desprendi-me de algo, sofri ansiedade e êxtase no silêncio da minha incapacidade e resolução.

Eu sou incompleta, eu me indago, eu me quero descobrir antes de descobrir o mundo, eu quero me revolucionar, eu quero me entender. Sou egocêntrica e voltada para mim pois só sei ser assim, e só assim sei ser. Se desfoco-me para o exterior perco o chão, a linha, perco-me, preciso enxergar-me plena e ainda não descobri como. Talvez ele não haja. Talvez eu seja mesmo incompleta, não duvido, mas não descansarei até descobri-lo. Preciso do todo, sei bem, mas preciso-me acima de tudo, preciso-me para sentir e para continuar, preciso-me nem que para tirar um pouco de mim mesma, esse tanto que me sufoca quando não consigo esvaí-lo em palavras. Esvair-me.

O mundo é feito de egocentrismos e revoluções particulares. Ou talvez essa seja apenas eu, a atriz principal de meu próprio teatro.
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O loiro pela promessa, o chiclete pela fragilidade, o rosa pela feminilidade, as cores pelas cores. O fundo pela calma, uma pattern pela simplicidade, a outra pelos entremeios, os olhos pela dúvida, o problema pelo particular. O espelho do espelhos, dos textos que são toda eu.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Em círculos

Olhava a folha como se a esperar respostas, o lápis brincando solto por entre seus dedos, quando percebeu que as fibras brancas não lhe diriam nada e que o pensamento já estava, na verdade, muito longe das idéias cadenciadas as quais ela deveria tranformar em dissertação. Não era de agora esse deixar para depois sempre reservado por ela às tarefas obrigatórias - parecia mais uma constante incômoda da qual ela não conseguia livrar-se, por mais que tentasse. E, verdade seja dita, não tentava muito. Dizia que sim, é claro que tentava, mas sua mente sempre lhe gritava o contrário e rebelava-se contra essa organização falsa, essa vontade abstrata, muito mais desejo que verdade. No fundo, ela pegava livros e ocupava os pensamentos com enredos e personagens e idéias e ideais ao invés de preocupar-se com as contas, a coerência, a coesão. Procrastinação indelével e reconhecida, seus dias - não adiantava se dizer o contrário.

Pois sim, então seu cotidiano afetava-se com isso. Mas agora pensamento maior lhe assomara: quanto havia deixado passar, não no hoje, mas no todo, graças a essa inacção de seu somatório de dias? Quanto será que lhe afetara, sem que ela percebesse, essa decisão de não decidir até que fosse tarde demais?

Sabia não ser pouco.

Vieram-lhe à mente pequenos momentos. Palavras não ditas, resguardadas em seu imaginário quando o depois parecia tão mais agradável. Depois, depois. Não falava, não ouvia. Escrevia e rasgava - depois contaria, mandaria, revelaria. Lembrou-se dos papéis amassados nas gavetas, das fotos escondidas, dos "não" impensados, dos "sim" adiados. Lembrou-se dele. Aquele ao qual ela pedira tempo, na esperança vã de que o pra sempre realmente existisse, pois assim o tempo seria todo o do mundo. Não teve, não fez. Partiu.

Sentiu a ferida antiga e o gosto amargo na boca. Lembranças traidoras, não lhe dera permissão para voltar! Pois não se esforçara tanto para afundá-las entre sensações falsas e o instantâneo presente? Deixara-as de molho para análise posterior, e agora o pensamento gatilho as liberara. Traidor. Traidoras.

O que estaria perdendo? Hoje, agora, nesse exato instante, o que não estava fazendo, quais eram os cenários escondidos aos seus olhos por aquele universo de escolhas não tomadas?

Queria que não fosse tarde demais. Queria poder dizer-lhe, "Agora sei, agora tenho certeza, vem." Queria que ele não amasse a outra mais do que jamais a amara.

Queria que ela ainda estivesse ali para que isso lhe impedisse de pegar o telefone e telefonar para ele. Não estava.

Discou os números devagar e pensou nos brincos, representação metálica usada por ela em datas especiais. Os círculos os quais eles traçavam a cada ano, ciclos completos e com intersecções tais que jamais poderiam ser separados sem que pedaços essenciais se rasgassem. Ela os usaria hoje, presente de uma época em que ela ainda lhe era o mundo inteiro e a outra era apenas personagem de histórias alheias.

Discou os números e esperou. Eram dois incompletos, duas meia-luas que talvez conseguissem completar-se caso não fosse tarde. Caso ele ainda estivesse disposto. Pois Bárbara não era Rosa, e, na falta de amores inteiros, ele estava ali.


Foi estranha a experiência de escrever misturando realidade com ficção, mas é algo com o qual devo me acostumar. Espero que o resultado tenha ficado minimamente bom. Melissa, não esqueci da promessa - tentarei fazer o próximo post ainda esse mês, e ele conterá a explicação a respeito do layout.

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