sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Tragédia Brasileira

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.

Conheceu Maria Elvira na Lapa — prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.


Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.

Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.

Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.

Viveram três anos assim.

Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.

Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...

Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

Manuel Bandeira

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Delicate

Três anos completos. Três, três, três.

Eu nunca fui boa em guardar datas de aniversário; não é surpresa nenhuma que até hoje eu nunca tenha lembrado de postar no dia especial do meu próprio blog. Tsc, tsc.

A idéia - uma das muitas que têm andado pela minha cabeça esses dias - era começar esse post pelo final, dando parabéns pra Melissa - você acertou o significado do post anterior! Mas o final deveria ser isso, não? Uma conclusão, a finalização de um emaranhado de idéias postas de maneira mais ou menos organizada em forma de texto.

Eu nunca fui boa com finais.

Talvez eu devesse me contentar com vários inícios.
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Eu poderia explicar cada detalhe do layout, cada cor, pattern, fonte, luz. Cada tom, linha e textura. Mas qual o sentido de expôr-me mais? Assim, de maneira tão... Transparente? Pois, também, não creio que seria possível uma compreensão apenas no nível verbal. As imagens deveriam falar por si mesmas.
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É engraçado. Há uma estranha necessidade em mim de estar fixada em algo. Fascinada por, viciada em, ansiosa por causa de. É horrível quando acabo voltando-me a uma pessoa qualquer - tão mais fácil quando eu me contento com algo material. Normalmente, um livro. Uma história qualquer.

E assim foi, de julho até agora - obcecada por Twilight de uma maneira talvez nem um pouco normal, mas quem é que se importa? Algumas 20 páginas (por livro) de citações depois, tudo fica certo. Ou talvez depois que eu assisitir ao filme, no final do ano... Quem sabe?
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“You’re wrong, you know."
“What?”
“I can feel what you’re feeling now – and you are worth it.”
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The only problem about love stories is that they make reality that much harder.

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